Diário #alynemamãe 04: Pensamentos soltos sobre gravidez, ganho de peso, ditadura da beleza…

Oi, gente!

Primeiramente, atualização do bucho de 23 semanas, sem make e sem glamour porque aproveitei um minuto que levantei da cama, rs:

Meus pimpolhos com 23 semanas, mais de meio quilo cada um e mexendo muito!

Meus pimpolhos com 23 semanas, mais de meio quilo cada um e mexendo muito!

Acho que algumas vezes vou falar de assuntos aleatórios por aqui, pois nos diários sempre tenho tanto a dizer que não converso sobre algumas percepções e observações que tenho tido e gostaria de compartilhar.

Aproveitando que estou acamada em casa depois de voltar do hospital, venho conversar sobre a nova pergunta que mais escuto (lembram as que postei no primeiro diário? Rs): Mas você não engordou nada, né? Ou “Já ENGORDOU quantos quilos?”.

Essa pergunta varia em duas exclamações: “Como sua barriga está pequena!” ou “Como sua barriga está enorme!”.

Aqui no Brasil a nossa preocupação com a estética é e sempre foi  muito grande. É cultural, não adianta eu ou você afirmarmos categoricamente que não nos preocupamos em ter um corpo ou uma pele legal pois, mesmo que alguém não faça absolutamente nada para ficar em forma ou mais bonita, prestamos atenção e admiramos quem faz. Não estou falando de excessos, exageros, hidrogel, obsessão, nada disso. Falo da vaidade que é  tão característica da mulher brasileira, parte do nosso DNA!

Mas, o que muitas vezes acaba sendo uma cobrança excessiva de nós mesmos, dos amigos, da mídia, das redes sociais, parece que na gravidez se multiplica por mil. Como se as grávidas estivessem divididas em dois times: as que são desleixadas e comem tudo que vêem pela frente, “engordando” muito  e as que são super regradas e fitness e “se cuidam” e usam as mesmas calças desde antes de engravidar até os 9 meses  e “engordam” só barriga.

Vem cá, não existem exceções ou um meio termo? Será que a gente tem que ficar julgando todo mundo e categorizando em grandes grupos, sem saber das individualidades de cada um?

Como não sou psicóloga, nutricionista nem educadora física, vou falar da minha experiência pessoal e da minha percepção e opinião, certo?

Quando engravidei, uma das primeiras coisas coisas que eu pensei, foram: só vou engordar até 14 quilos. Como se fosse uma conta exata assim, fácil de controlar, que não tivesse variações e dependesse só de mim.

E aí as semanas foram passando, e eu fui percebendo que engordar é diferente de ganho de peso. Claro, o que é tão óbvio parece que não passa pela cabeça das pessoas. Ganho de peso inclui a placenta, os nenéns, o líquido amniótico, a gordura corporal que se acumula normalmente, etc.

Eu também pensava: vou fazer pilates duas vezes por semana e nas outras três vezes musculação ou hidroginástica. Parece que agora temos que ser uma geração de super grávidas que não ganham peso e tem que ser completamente fitness! Só que a realidade não é bem assim  e eu aprendi logo: aprendi que tem o cansaço, a indisposição, as mil coisas que tem preparar fora a rotina diária de trabalho que não muda; aprendi que a fome aumenta, as vontades aparecem e a equação vai se tornando mais complexa.

Eu sempre queria estar com um quilo a menos na balança do que a recomendação da Organização Mundial de Saúde propunha, para não “engordar muito” na gravidez. Me preocupei muito com isso no primeiro trimestre, mas chegou uma hora em que eu me alimentava bem, praticava exercícios e, é óbvio, os números não paravam de crescer. E aí eu dei um basta em mim mesma. E passei a aceitar melhor que, se eu tenho consciência de que estou consumindo os nutrientes necessários, de que meus bebês estão crescendo e engordando bem e junto com a média de uma gestação de um único filho, por que essa cobrança toda comigo mesma, então? Ah, lembrei… A cultura, a mídia, as redes sociais…

Mas Alyne você prefere engordar 18kg e ter dois filhos acima de 3kg porque come bem ou prefere engordar 14 e ter duas crianças de 2kg porque ficou fazendo dieta como se não estivesse grávida? Claro que a conta não é certa assim, mas poderia acontecer, não? E HOJE eu fico de bom grado com os 18kg, se necessário ou se acontecer.

Hoje mesmo vi um perfil no instagram de uma grávida de 9 meses fazendo agachamento com barra e afirmando: eu me cuido, por isso engordei só X quilos e por isso vou cuidar melhor do meu filho.

Pois deixa eu dizer uma coisa: eu me alimento bem, estava em uma fase ótima de exercícios e dieta antes de engravidar, sinto saudades da musculação e do kangoo jump, mas agora estou parada há um mês, praticamente decidida a não fazer mais nada o resto da gravidez, já são 08 quilos a mais, exatamente o mínimo recomendado pela OMS para uma gestação gemelar nas minhas 23 semanas considerando meu  IMC e não vou morrer por isso!

Minha rotina é puxada, tenho mil coisas a resolver, fora a ansiedade de ser mãe de primeira viagem, mãe de gêmeos ainda mais, não vou mais ficar me cobrando, me regrando, me privando  do que tenho vontade de vez em quando ou me forçando a praticar exercícios quando estou mesmo é cansada e querendo colocar o bucho pra cima, rs!

RELAXEM, MEU POVO!

Se você consegue incluir exercícios na sua rotina e seguir uma dieta perfeita à risca, ótimo, te admiro demais! Se você usa a gravidez como desculpa para se entupir de refrigerante, batata frita e industrializados todos os dias, aí já é outro extremo também, não por sua causa, mas por causa do pacotinho que você carrega e depende tanto dos nutrientes que você passa para ele.

Mas eu não vou deixar de aproveitar as surpresinhas que meu marido faz, trazendo um chocolate ou preparando um jantar fora de hora, por exemplo, ou o carinho de uma amiga que lembra de mim e manda uma gostosura, ou ir a uma festa e ficar tomando só água porque antes eu comia uma bobagem e perdia no dia seguinte com a malhação e agora ela vai se instalar e ficar por aqui, já que no outro dia não vou ter kangoo para suar tudo.

Cada um sabe do seu equilíbrio, mas o que eu acho que é o maior desafio de lição desse ponto da gravidez é aprender a se respeitar, a se aceitar, a saber que uma gestação não é igual a outra e relaxar mais consigo mesma perante os padrões impostos não se sabe nem por quem.

Eu tenho  meus momentos, lógico, porque a minha mente sempre foi programada para pensar “fit” ou “não fit”, mas me trabalho para ficar mais tempo em paz comigo, em aproveitar para curtir meus últimos meses “não mãe”, valorizar meu tempo sozinha, não me sentir culpada por estar deitada há meia hora só observando meus pimpolhos mexendo, lendo sobre gravidez ou escrevendo aqui para vocês.

Caiu a ficha de que já foram 2 terços da gravidez embora e se foi um tempo que não volta, são pequenos momentos e memórias que vão se acumulando e passam num piscar de olhos. E eu não vou perder nenhum preocupada em me impor um ritmo que eu nem tenho certeza se quero ter.

Tudo o que tenho feito nesse último mês e que farei daqui até o final é porque quero, gosto e tenho vontade, não por obrigação ou imposição de ninguém.

Vou continuar com minha alimentação saudável que amo, mas vou curtir todos os docinhos do chá de bebê. Vou parar com a rotina de exercícios, mas vou caminhar ou nadar se me der vontade. Vou sair para jantar com meu marido, vou assistir filme com pipoca às 23h se me der na telha. Vou continuar com a minha chia e tapioca amadas. Relaxei, estou reprogramando minha mente e me descobrindo muito mais feliz. No “depois” eu penso depois e só!

Enfim, falei muito, viajei, nem sei se fui coerente do começo ao fim mas não vou reler para não desistir de postar.

E para vocês, como foi ou tem sido essa questão de estética, peso, etc?

Mais uma fotinha dos meus lindinhos crescendo!

Mais uma fotinha dos meus lindinhos crescendo!

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Category : Alyne Mamãe
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